sexta-feira, dezembro 28, 2007

Verborragias de um sociólogo frustrado

Dessa vez não é para intimidade. Estou lendo um livro que está me deixando cada vez mais esperto. Vamos dizer que o Fábio que se vê no começo do blog, quase um revolucionário, está repensando cada vez mais sobre suas idéias. Em vez de um texto que revelam metaforamente minha intimidade (não que esteja errado) vou fazer um texto que acho que Sabina, do livro Insustentável Leveza do Ser, gostaria: ela disse que não gosta de textos que revelam a intimidade do autor. Mas, como sou meio que teimoso, vou tentar fazer um texto intercalado, mesmo porque já na introdução pequei porque já anunciei uma intimidade. Mas como eu sou teimoso, vou tentar colocar aqui uma mistura para agradar Sabina e meu eu interno e chato.

Vamos dizer que minha vida fazendo Ciências Sociais não anda ás mil maravilhas. Não é por nenhum motivo religioso, aos quais muita gente insiste em pedir para eu sair. Isso seria muito egoísmo de deus, seja o deus qual for. Talvez até seja motivada pelo ambiente, que nos influencia desde pequenos. Mas o que me incomoda é que, uma bonita teoria, a qual de primeira me identifiquei mais-que-tudo, esteja me enchendo tanto o saco. O comunismo(com “C” maiúsculo ou não) talvez seja muito bonito, ou até exageradamente feio, para quem vê. Mas nem sempre a gente acerta. Vamos dizer que o comunismo é um hermafrodita. Lendo o livro, vi que cheguei anos atrasado quando pensei em colocar que, apesar de uma teoria (que necessariamente não foi citada no livro) muito bonita, o que os comunistas modernos não se atentam, as vezes por não se olhar no espelho, é que nada é perfeito nesse mundo tolo, que não atentaram ainda que a desigualdade que se forma a partir dos meios de produção não depende pura e simplesmente da posição nas classes sociais. Se esquecem que muito disso é fruto da condição humana, e que muitos dos líderes que apóiam cagavam e peidavam, erravam e matavam. Não que o livro diga exatamente isso, mas isso veio de uma criação.

Não quero dizer que sou contra o marxismo, ou que vivo lendo desses artigos do site Mídia Sem Máscara. Apesar de tudo admiro a obra de Marx, mas tenho vergonha de ser chamado de comunista. Sim, tanto por partes da teoria, que talvez se colocada em prática de verdade, não seria diferente do que aconteceu (no máximo veríamos uma luta de classes continuas até uma trégua, que podemos assim dizer chamar de comunismo), tanto, e principalmente, pelas pessoas que dizem lutar por essa teoria. O ideal é mais que importante para encontrarmos um lugar nesse mundo em que pelo menos ter a eterna e ingênua esperança temos direito (e olhe lá). Mas quando vi que, dentro de uma universidade, por eu ter idéias diferente, e não concordar, sou totalmente excluído de participação e de voz, e ainda ser considerado um bobo, um ingênuo, me fez botar rédeas nos meus ideais. Parece que, e entendi assim, que a luta pela igualdade não passa de uma luta para uma igualdade de pensamentos só, não para igualdade de oportunidades e de vida. Não que todos que tenham ideais comunistas são assim, mas fazer um cara que um dia estava defendendo de pés juntos Cuba, de um dia para o outro (e exatamente isso), achar por um momento que o capitalismo é ideal.

Claro que depois fui sentir nojo de mim mesmo por esse sonho tolo de que o capitalismo pode ser perfeito. Defendo a idéia que alguma coisa tem que mudar, e vai mudar, mas, infelizmente, a revolução vai ser parecida com a Revolução Burguesa. Pela lógica é essa a linha de raciocínio se pegarmos o que aconteceu nas últimas revoluções.

Não estendendo muito esse texto, por causa do espaço, e da minha falta de materiais em mão (to em viajem, e ainda não tenho muita habilidade nas idéias), espero estender em outros posts para falar com o vendo essas verborragias de um futuro sociólogo frustrado, nas suas tentativas de fugir cada vez mais das intimidades. Mas pra só pra ter o que falar depois: durante uma conversa com um professor meu, deu de ele falar que, se acontecer essa revolução que todos comunistas de quem eu falo esperam, íamos ser nós os primeiros a irmos para “forca”; durante essa mesma conversa, falando sobre revolução ele falou: “nós estamos passando por duas maiores revoluções, e não percebemos. A primeira é a tecnológica, com suas tecnologias mudando a cada dia. A segunda é a Revolução Ecológica: estamos percebendo que podemos sumir, que nem os animais que extinguimos.”

Para concluir, se a caso alguém que não me entender aparecer: não estou falando de todos os comunistas, e nem de todas as idéias comunistas. Estou falando de um grupo seleto, que se meu blog fosse famoso, iriam enches de mensagens me chamando de todos os nomes, menos de santo.

sábado, dezembro 15, 2007