
Mesmo depois de morto Brás teve seus devaneios filosófico, bom porque ele deve ter ficado muito perto da "verdade" universal que todos falam. Nunca ouvi falar. Poderia ter ouvido as conversas que meu pai tinha com o peixeiro da esquina, filosofias de como se formam os rios e mares. Nem que meu sustento viesse disso ia querer discussões tão bobas, acho. Até que a filha do peixeiro era bonita, mas, entre outros anseios meus era por ela estar sempre descalça. Não porque eu não gostava, mas porque minha mãe não gostava. Ela não ia querer ver minha noiva descalça. Eu poderia virar para o lado e cumprimentar a vizinha, ela tinha bons conselhos, dava, conselhos, como ninguém. Principalmente sobre vidas amorosas. Bem que meu amor era meio lúdico, mas sincero e luxúrico, mas lírico.
Nunca fui de me desviar de meus planos, mas esse era menos havaiânico... Ou anti-havaiânico, a guria nem disso gostava. Minhas unhas eram mais bem cuidadas que as dela.
Essa noite pensei...
Como pode um cara que nem eu pisar nessa face, quase norte, da terra. Queria ter nascido entre os monges hindus, ou entre as selvas africanas, principalmente as menos exploradas. Porque? Talvez porque meus olhos doem quando vejo uma televisão, ou minha garganta arranhe quando falo muito. Ou ainda minha cabeça doa com toda essa gente falando até se cansar sobre “que sapato dá menos calo”.
Foi uma cerimônia simples, daquelas que todo mundo fala “que idéia legal”, mas nunca fazem. Porque, também, preciso de algo para me lembrar disso (um casamento é fácil de esquecer, tenha certeza disso). A cerimônia foi realmente simples.
Larguei ela uns dois anos depois.
Nessa face norte da terra quem ganha o pato é o lago. Apesar de eu não gostar de patos, me disseram que pato ao tucupi pode ser uma boa. Nunca provei. Numa dessas reflexões minhas decidi parar com o não aproveitar, fui ao famoso “Dejá vu”: um restaurante que ‘ouve’ seus clientes. Não gostei. Não gostei por que era feio, vi uma ou duas penas enquanto estava mexendo no caldo, e outras três decorando a mesa. Chamei o garçom, três minutos depois ele estava a postos, demorou porque estava ocupado. Olhei para ele e disse: “Pode levar esse pato pro lago”. Mas é sério, ele faltava sangrar. À noite, quando começava a me chegar o sono, fiz pipoca e vi filmes... Vários, todos os quatro que tinha alugado para devolver no outro dia.
Filmes são uma boa pedida para quem não gosta do pôr-do-sol, digo por experiência própria. A cada noite, desde criança me vejo de olhos fechados a cada pôr-do-sol que me passava, dormindo. Para dizer a verdade nunca vi um por do sol, mal em filme, por que viro as costas. Não sei, é irritante. Num dos filmes lembrei do meu anjo despeçado, que deixei chorando um dia dessas dentro de uma casa mórbida. A atriz principal não tinha os pés (recomendo esse filme). Nessa noite vi o dia amanhecer cinzento, com cara de que não vai parar de chover a qualquer hora. Torcia que fosse agora mesmo, para não ir trabalhar na venda de balões que arranjei emprego por um “amigo” meu. Encher balões é um saco.
E choveu.
Choveu tanto que pensar não era o bastante para passar meu tempo... Sozinho eu ali me concentrei em versos ou cartas que eu poderia tirar da minha mente. Estava totalmente sem assunto, comigo mesmo. Minha mente se esvaziava a cada passo meu no mundo-pensamento. O mundo-mente me desviava a atenção para o vazio a cada milésimo de segundo.
Olhei para o relógio: quatro horas da tarde. A chuva estava a parar (para chatos de plantão). Levantei-me e abri a porta do quarto e passei pelo corredor. Na sala tinha um telefone. Puxei-o do gancho e disquei uns números aleatórios, para ver se dava em algum lugar...
ps.: Por exigência de um amigo meu, vou escrever de tudo aqui. Não que não eu me ache, ou ache que alguém entra no blog. Para acordar a gente precisa fazer mais que criticar. Criticar é muito fácil.
Um comentário:
huahauhauha,
esses devaneios lúdicos,
parece q brinca com o acaso,
com o sem fim.
q seja, parece uma brincadeira,
então? Enjoy.
"Criticar é muito fácil", "Encher balões é um saco."
Pra bom entendedor, sem as palavras? Basta.
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